terça-feira, 2 de dezembro de 2008



Agora só me falta aprender o silêncio...

quinta-feira, 9 de outubro de 2008


Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem
Quem vai virar o jogo e transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado só de quem me interessa

Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
Por trás do seu sossego, atraso o meu relógio
Acalmo a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurre em meu ouvido
Só o que me interessa

A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa
(Lenine)

quarta-feira, 8 de outubro de 2008




Seu coração disse pra sua cabeça:vá
e sua cabeça disse pra sua coragem: vou
e sua coragem respondeu:vou nada
mas sua boca não ouviu e beijou.

[Trecho do Livro 'A Máquina' de Adriana Falcão]

O tempo passa
A vida passa
Eu passo
Com o passo no compasso
Com o passo em descompasso
E passam os anos
Os amores , os planos,
Os dissabores , os desenganos...
Em passo lento
Em passo apressado
E eu passo
E a vida passa
E o tempo passa
E tudo passa !...

segunda-feira, 29 de setembro de 2008


Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já não me dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.
(Fernando Pessoa)

terça-feira, 2 de setembro de 2008



Eu quis fazer amor
Uma canção de amor
Pra ouvir e você cantar
Cheia de rimas
Mas só me veio qua as pessoas só correm atrás de dinheiro
E que um prato cheio faz um sorriso pra um dia inteiro


E quando eu ando depresa
Pra poder te encontrar
Tem muita mão que me atrasa
Pra saber o que eu posso dar

Pra todo fim tem um meio
Tem muito jeito de amar
Tem dor que foge do peito
Pra ir morar em noutro lugar

E quando você me abraça
Esqueço da vida dura
E Que gente não teve paz
Do outro lado da rua

segunda-feira, 1 de setembro de 2008


O MAPA

Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo...

Sinto uma dor infinita
Das ruas
Onde jamais passarei...

Há tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Há tanta gente
Nas ruas que não andei
(E há uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei...)

Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível

Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)

E talvez de meu repouso...

quinta-feira, 28 de agosto de 2008


Em trânsito...

(des)dobro-me
e encontro-te
no espaço neutro
que vai de mim
ao outro
que sou em trânsito...

de ti para mim
devolvo-me
verdadeira
e diluo-me
no fogo líquido
em que ardemos
em teu corpo...

(em trânsito
somos
em transe nos
guardamos)

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Presentes!!!!!!!!!

Esse Blog é um presente, foi feito com essa intenção, ontem ganhei um... o acaso...
Hj escutei essa música, acho que fui eu que fiz,hahahhahahaha, de ontem pra hj,hahahahahahha...
Letra e vídeo




OS PRESENTES (Eliana Printes)

Que presentes te daria?

Uma estrela vã do firmamento
Pra iluminar o vão do pensamento
Pra iluminar o vão do pensamento

Uma TV na garantia
Arvores plantadas no cimento
E o meu perfume a rosa dos ventos
E o meu perfume a rosa dos ventos

Um novo ritmo
Cartas de amor com frente e verso
E meu percurso nesse universo
E meu percurso nesse universo

Nas horas sem fim
Em que a dor não tem mais cabimento
É no teu prumo que eu me oriento
É no teu prumo que eu me oriento

Catedrais de alvenaria
Senhas pra não mais perder a vez
Casa, comida e um milhão por mês
Casa, comida e um milhão por mês
Casa, comida e um milhão por mês

quinta-feira, 21 de agosto de 2008


O Florir

O florir do encontro casual
Dos que hão sempre de ficar estranhos…

O único olhar sem interesse recebido no acaso
Da estrangeira rápida…

O olhar de interesse da criança trazida pela mão
Da mãe distraída…

As palavras de episódio trocadas
Com o viajante episódico
Na episódica viagem…

Grandes mágoas de todas as coisas serem bocados…
Caminho sem fim…

Álvaro de Campos

terça-feira, 22 de julho de 2008


... uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de.
Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar.
Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos
empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida.
Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi.
E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito,mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também.
Por isso, não faz mal que você não venha, espararei quanto tempo for preciso.
Clarice Lispector

segunda-feira, 19 de maio de 2008

EU VI!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Bem, na verdade foi quarta-feira, mas eu fiquei doente e só consegui postar hj, dia muito especial pra mim, fui com Betha e Rafa assistir a 1ª ultra de Elis (ou de Rafaelzinho, claro), infelizmente não deu pra ver o sexo, mas podemos ver o bebê passando a mãozinha no rosto, esticando a perninha, hahahha coisa mais linda e o mais importante, constatar a saúde dele.
Fico muito feliz de poder dividir esse momento com vc minha amiga-irmã, assim como vc dividiu comigo os meus, amo vc's muito e sempre.
Mais Luz pra esse anjinho que agora eu conheço de verdade.

sexta-feira, 2 de maio de 2008


Nascerá uma luz;
Uma luz de novos planos
de novos momentos.
Essa luz virá cheia de encantos,
cheia de magias,
cheia de vida.
Esta luz é o fruto de dois corações,aliás dois mais um de Luna
Anjinho...
que virá para ensinar o que é amor.
Anjinho...
que virá para amar e ser amado.
Anjinho cheio de glória,
cheio de Benção.
A partir de agora esse
anjinho vai aprender como saber viver no amor,
aprender os passos para chegar até a Felicidade.
Seja bem vinda essa luz
E aos guardiões dessa luz...

terça-feira, 22 de abril de 2008

ILEGAIS

quarta-feira, 16 de abril de 2008

ABRIL


Sinto o abraço do tempo apertar
e redesenhar minhas escolhas
Logo eu que queria mudar tudo
Me vejo cumprindo ciclos,
gostar mais de hoje e gostar disso
Me vejo com seus olhos, tempo
Espero pelas novas folhas
Imagino jeitos novos
para as mesmas coisas
Logo eu que queria ficar
Pra ver encorparem os caules
Lá vou eu, eu queria ficar
Pra me ver mais tarde,
Sabendo o que sabem os velhos
Pra ver o tempo e seu lento ácido dissolver o que é concreto
E vejo o tempo em seu claro-escuro
Vejo o tempo em seu movimento
Me marcar a pele fundo,
me impelindo, me fazendo
Logo eu que fazia girar o mundo,
Logo eu, quem diria,
esperar pelos frutos
Conheço o tempo em seus disfarces,
em seus círculos de horas
Se arrastando feito meses se o meu amor demora

E vejo bem tudo recomeçar todas as vezes
E vejo o tempo apodrecer e brotar
E seguir sendo sempre ele
Me o tempo todo começar de novo
E ser e ter tudo pela frente

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008


Arial 10
Certas coisas não mudam...
E não mudam, mesmo usando arial 8...
negrito ou de cor complementar...

Arial 10
Sublinhado, itálico... mesmo sem capitular
construimos quadradinhos para o principe
para cabeças de Holiday, de cebolas que pensam...

Arial 10
O céu das bocas é para descobertas,
que se fixam de linguas e vodkas...

Arial 10
E o brilho dos cabelhos de milho
é para quem vê as cores abertas...

Arial 10
Fica bem...


*Uma inspiração atada a outra...rsrsrsr

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Eu deixarei que morra em mim
o desejo de amar os teus olhos que são doces.
Porque nada te poderei dar
senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença
é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto
e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter
porque em meu ser tudo estaria terminado.

Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada.
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu,
porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite
e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
(Ausência - Vinicíus de Moraes)

sábado, 23 de fevereiro de 2008


Moro no Brasil

Não sei se moro muito bem

ou muito mal

Só sei que agora faço parte do país

Inteligência é fundamental.
(Seu Jorge)

o cão sem plumas


I. Paisagem do Capibaribe

A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.

O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão,
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.

Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.

Sabia dos caranguejos de lodo e ferrugem.
Sabia da lama como de uma mucosa.
Devia saber dos polvos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.

Aquele rio
jamais se abre aos peixes,
ao brilho,
à inquietação de faca
que há nos peixes.
Jamais se abre em peixes.

Abre-se em flores
pobres e negras
como negros.
Abre-se numa flora
suja e mais mendiga
como são os mendigos negros.
Abre-se em mangues
de folhas duras e crespos
como um negro.

Liso como o ventre
de uma cadela fecunda,
o rio cresce
sem nunca explodir.
Tem, o rio,
um parto fluente e invertebrado
como o de uma cadela.

E jamais o vi ferver
(como ferve
o pão que fermenta).
Em silêncio,
o rio carrega sua fecundidade pobre,
grávido de terra negra.

Em silêncio se dá:
em capas de terra negra,
em botinas ou luvas de terra negra
para o pé ou a mão que mergulha.

Como às vezes
passa com os cães,
parecia o rio estagnar-se.
Suas águas fluíam então
mais densas e mornas;
fluíam com as ondas
densas e mornas
de uma cobra.

Ele tinha algo, então,
da estagnação de um louco.
Algo da estagnação
do hospital, da penitenciária, dos asilos,
da vida suja e abafada
(de roupa suja e abafada)
por onde se veio arrastando.


Algo da estagnação
dos palácios cariados,
comidos
de mofo e erva-de-passarinho.
Algo da estagnação
das árvores obesas
pingando os mil açúcares
das salas de jantar pernambucanas,
por onde se veio arrastando.

(É nelas,
mas de costas para o rio,
que "as grandes famílias espirituais" da cidade
chocam os ovos gordos
de sua prosa.
Na paz redonda das cozinhas,
ei-las a revolver viciosamente
seus caldeirões de preguiça viscosa).

Seria a água daquele rio
fruta de alguma árvore?
Por que parecia aquela
uma água madura?
Por que sobre ela, sempre,
como que iam pousar moscas?

Aquele rio saltou alegre em alguma parte?
Foi canção ou fonte
Em alguma parte?
Por que então seus olhos
vinham pintados de azul
nos mapas?