segunda-feira, 19 de maio de 2008

EU VI!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Bem, na verdade foi quarta-feira, mas eu fiquei doente e só consegui postar hj, dia muito especial pra mim, fui com Betha e Rafa assistir a 1ª ultra de Elis (ou de Rafaelzinho, claro), infelizmente não deu pra ver o sexo, mas podemos ver o bebê passando a mãozinha no rosto, esticando a perninha, hahahha coisa mais linda e o mais importante, constatar a saúde dele.
Fico muito feliz de poder dividir esse momento com vc minha amiga-irmã, assim como vc dividiu comigo os meus, amo vc's muito e sempre.
Mais Luz pra esse anjinho que agora eu conheço de verdade.

sexta-feira, 2 de maio de 2008


Nascerá uma luz;
Uma luz de novos planos
de novos momentos.
Essa luz virá cheia de encantos,
cheia de magias,
cheia de vida.
Esta luz é o fruto de dois corações,aliás dois mais um de Luna
Anjinho...
que virá para ensinar o que é amor.
Anjinho...
que virá para amar e ser amado.
Anjinho cheio de glória,
cheio de Benção.
A partir de agora esse
anjinho vai aprender como saber viver no amor,
aprender os passos para chegar até a Felicidade.
Seja bem vinda essa luz
E aos guardiões dessa luz...

o cão sem plumas


I. Paisagem do Capibaribe

A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.

O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão,
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.

Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.

Sabia dos caranguejos de lodo e ferrugem.
Sabia da lama como de uma mucosa.
Devia saber dos polvos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.

Aquele rio
jamais se abre aos peixes,
ao brilho,
à inquietação de faca
que há nos peixes.
Jamais se abre em peixes.

Abre-se em flores
pobres e negras
como negros.
Abre-se numa flora
suja e mais mendiga
como são os mendigos negros.
Abre-se em mangues
de folhas duras e crespos
como um negro.

Liso como o ventre
de uma cadela fecunda,
o rio cresce
sem nunca explodir.
Tem, o rio,
um parto fluente e invertebrado
como o de uma cadela.

E jamais o vi ferver
(como ferve
o pão que fermenta).
Em silêncio,
o rio carrega sua fecundidade pobre,
grávido de terra negra.

Em silêncio se dá:
em capas de terra negra,
em botinas ou luvas de terra negra
para o pé ou a mão que mergulha.

Como às vezes
passa com os cães,
parecia o rio estagnar-se.
Suas águas fluíam então
mais densas e mornas;
fluíam com as ondas
densas e mornas
de uma cobra.

Ele tinha algo, então,
da estagnação de um louco.
Algo da estagnação
do hospital, da penitenciária, dos asilos,
da vida suja e abafada
(de roupa suja e abafada)
por onde se veio arrastando.


Algo da estagnação
dos palácios cariados,
comidos
de mofo e erva-de-passarinho.
Algo da estagnação
das árvores obesas
pingando os mil açúcares
das salas de jantar pernambucanas,
por onde se veio arrastando.

(É nelas,
mas de costas para o rio,
que "as grandes famílias espirituais" da cidade
chocam os ovos gordos
de sua prosa.
Na paz redonda das cozinhas,
ei-las a revolver viciosamente
seus caldeirões de preguiça viscosa).

Seria a água daquele rio
fruta de alguma árvore?
Por que parecia aquela
uma água madura?
Por que sobre ela, sempre,
como que iam pousar moscas?

Aquele rio saltou alegre em alguma parte?
Foi canção ou fonte
Em alguma parte?
Por que então seus olhos
vinham pintados de azul
nos mapas?